4 de setembro de 2015

Orientação Sexual/ Identidade de gênero/Mudança de sexo (Vídeo) - Luiza Gosuen




Há alguns anos atrás, felizmente não mais, ouvia-se com certa frequência, notícias dando conta de que alguns profissionais da área de saúde enfrentavam problemas por atenderem pacientes heterosexuais com dificuldades de autoaceitação em sua definição sexual ou pessoas com transição de gênero. 

Desde quando eu ainda era estudante de psicologia, havia intensas discussões sobre o tema homosexualidade, existindo correntes radicais que chegavam ao absurdo de  classificar essa opção sexual como "doença".


As pessoas são livres, ou pelo menos deveriam ser, para fazer escolhas na vida. Toda escolha, como sabemos, têm consequências. Não é diferente em relação às escolhas ligadas à sexualidade.

A pergunta é a seguinte: Uma pessoa que optou pela homosexualidade ou transexualidade mas que por "n" motivos não tem se ajustado a esta escolha - não pela sua decisão, mas por problemas familiares ou até mesmo por discriminação na sociedade e no trabalho - vindo a desenvolver intenso desconforto e até sofrimento emocional por causa disso, deve buscar qual tipo de ajuda para resolver esse desconforto? 

A resposta é simples. Não é um problema fisiológico ou físico, portanto não é doença. A indicação é que seja procurado um Psicólogo por se tratar de problemas que envolvem condições emocionais. Esse conceito  "doença", como muitos ainda insistem em classificar por simples desconhecimento e até por ignorância, ficou disseminado por muito tempo na sociedade e que agora, por fim, está caindo por terra.

A Psicologia, como ciência, está a serviço do bem-estar emocional das pessoas. Ajudar profissionalmente alguém que demonstre claros conflitos sobre sua opção sexual trata-se de corroborar para que o indivíduo reafirme ou não sua opção sexual mas, ao fazê-lo, que esteja harmonizado consigo mesmo e cônscio de seu papel assumindo-se como homo, hetero ou transexual.


Existem pessoas que definem sua homosexualidade ou transexualidade e possivelmente lidam bem com sua escolha sem medos de serem aceitas, mas quando isso trouxer algum embaraço é preciso procurar orientação profissional. Estou certa de que, os profissionais habilitados em Psicologia ajudarão com uma abordagem assertiva e técnicas apropriadas focadas nas necessidades do paciente para enfrentar os problemas, medos e preconceitos que possam surgir na fase de afirmação ou de transição dependendo de cada pessoa  e de sua família, que pode ou não dar o apoio necessário nessa fase.


Isso pode ocorrer inclusive quando a pessoa já está casada/o, e percebe que sua sexualidade não está lhe trazendo prazer como pessoa e quer mudar esta situação de maneira sincera com seu parceiro/a.  Reafirmo que não é um "tratamento" porque não se trata de uma "doença", mas de uma assistência profissional ao paciente e muitas vezes estendido também a seus familiares.



Tipos de Orientação Sexual:

* Heterosexualidade

Caracterizada pela atração sexual e afetiva entre pessoas de sexos opostos.

* Homosexualidade

Atração sexual e afetiva entre indivíduos do mesmo sexo. Comumente, chama-se "gay" para designar a relação entre homens e "lésbica" quando ocorre entre mulheres.
* Bisexualidade
Atração sexual e sentimental com relacionamento tanto com pessoas do mesmo sexo e também do sexo oposto. 

*Pansexualidade

Também conhecida polisexualidade é caracterizada pela atração sexual ou afetiva por pessoas independente do gênero ou sexo entre elas. Não tem preferência sexual definida, sentem-se atraídos por todos os tipos de pessoas, inclusive por transexuais e intergêneros.

* Asexualidade

É a falta de orientação e desejo sexual. As pessoas asexuais não sentem desejos sexuais e não sentem atração física por nenhuma pessoa. Não se identificam com nenhuma orientação sexual definida. Podem até criar um laço afetivo com alguém, porém sem relacionamento sexual.

* Intergênero

Não é uma orientação sexual. Os intergêneros não se identificam nem como homens nem como mulheres. Podem ver-se como uma fusão de homens e mulheres. Combinam as duas identidades de gênero. Alguns se percebem como sendo um pouco da identidade masculino e feminino. 


Transexualidade

É quando uma pessoa não se sente identificada com o seu corpo e com a identidade que foi-lhe dada quando nasceu, ou seja seu gênero psicológico não corresponde ao físico. Isso pode acontecer já desde a infância onde se percebe que o menino se sente uma menina ou o contrário, onde a menina se identifica como sendo um menino. 
A transexualidade é diferente de homossexualidade, pois o homem homossexual não se sente mulher, sente-se homem, mas sua preferência sexual é apenas por homens. É considerado ser um transexual quando ele sente-se uma mulher e pode se relacionar com homem, com mulher e até com casais, porém será a orientação de seu gênero que irá definir sua orientação sexual e sua preferência sexual. 
Ortofaloplastia é a cirurgia que faz a mudança de sexo. A Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS) ou Trangenitalização  proporciona a conversão de maneira radical e definitiva para que o homem faça a retirada de seu pênis e a mulher prolongue seu clitóris. Essas cirurgias são realizadas pelo SUS desde 2008.

**Importante**
Se você tem alguma dúvida sobre sua sexualidade, avalie suas sensações, pondere melhor sobre o assunto e, se constatar que não está satisfeito com o que deveria lhe proporcionar prazer procure ajuda médica e psicológica para orientá-lo(a) a lidar e viver com a sua sexualidade de forma mais saudável e sem conflitos. Tudo é passível de mudança e sempre o momento é agora.

1 de setembro de 2015

Síndrome do Pânico (Teste) - Um medo oculto - Luiza Gosuen

"De repente, alguém sem motivo aparente, diz estar sentindo falta de ar, boca seca, sensação que vai desmaiar, as pernas tremem, ondas de calor ou de frio, sensação estranha no peito, sufocamento e medo de morrer.
Estes são alguns dos sintomas mencionados pelas pessoas acometidas pela Síndrome do Pânico, mais um dos transtornos psicológicos gerados pela intolerância  e sobressaltos da vida moderna e que eu defino como:  Medo Oculto". Luiza Gosuen


Algumas vezes, tudo é confundido com os sintomas de Ansiedade frente a situações novas ou que causam estresse, porém na Síndrome do Pânico que é uma doença psiquiátrica, as manifestações são mais intensas e surgem inesperadamente, sem que a pessoa  tenha nada de novo acontecendo em sua vida. Ela estava bem e em questão de segundos surge essa sensação que a pessoa julga estar enlouquecendo ou que vai morrer, com isso o sistema normal do organismo dispara um alerta para que a pessoa possa reagir a essa ameaça e como não tem nenhuma ameaça iminente, o alerta dado foi desencadeado desnecessariamente, causando então o descontrole das sensações e o medo irracional por algo que não está acontecendo.

Ansiedade é um estado emocional normal e comum. Todos nós sentimos e passamos quase todos os dias por um ou outro motivo como as preocupações geradas pela vida agitada, desemprego, dívidas, provas de vestibular, doenças em família, morte de pessoas queridas etc... Ela surge por receio de não conseguir realizar a atividade no tempo previsto, de não ser aprovado ou qualquer outro fracasso, mas são situações contornadas e muitas vezes até sem a necessidade de medicamentos.
Já quando a ansiedade é patológica, ou seja, deixa de ser uma preocupação e sim um sofrimento intenso, causando prejuízo em sua vida produtiva, afetiva e social, passa a ser um dos sintomas agravante da Síndrome do Pânico. 

O Transtorno do Pânico é mais comum em jovens e mulheres, com frequência menor em homens. Atribui-se os fatos de problemas de alterações hormonais e instabilidade emocional  contribuírem  para as crises nas mulheres, devido ao registro de maior incidência de casos nessa fase, porém não se tem comprovação científica.

Não se sabe por que isso ocorre já que não é em decorrência de problemas físicos. Surge subitamente com ou sem fatores desencadeantes, se instala causando muitos prejuízos ao paciente e, mesmo depois de um tempo sem as crises, os ataques de pânico poderão ser recorrentes dependendo da situação que o paciente enfrentar - ou com um problema semelhante ao que gerou a situação original ou com um outro episódio que cause novo transtorno. O que para muitos pode ser uma situação corriqueira, para quem está com o Transtorno do Pânico é um sofrimento terrível.

O que sabemos com certeza é que uma mudança radical ocorre na vida do indivíduo. 
A pessoa que tinha uma vida tranquila e despreocupada, depois do transtorno se torna mais atenciosa e mais atenta a tudo, com medo que possa voltar a acontecer. E a pessoa que era agitada e confiante agora fica insegura, mais reservada se preservando ou se isolando com medo de ficar em algum  lugar público, sozinha, sem poder resolver a situação e ficar sem ajuda.

Existe o caso em que a Síndrome do Pânico pode ser instalada por uso indevido de medicamentos como os que são usados para emagrecer, sem nenhum controle ou orientação médica ou em casos de uso de psico-estimulantes como drogas e, nesses caso, o Transtorno do Pânico é originário de forma secundária, ou seja, foi provocado e surgiu devido aos efeitos de anfetaminas usadas de maneira indevida pela pessoa sendo que nessa situação em particular, a Síndrome foi decorrente de outra patologia - a dependência química.

É importante um diagnóstico preciso  para se poder ter um resultado satisfatório no tratamento que deve ser aliado a uma terapia comportamental que seja de maneira gradual e progressiva, sem causar sofrimento ainda maior ao paciente, preparando-o para enfrentar as situações que originaram esse trauma e ao mesmo tempo que seja capaz de retornar à sua vida sem os receios que bloqueiam suas atividades.

O tratamento pode variar de intensidade de acordo com a reação de cada paciente. Normalmente, o tratamento pode chegar até 1 ano e no início a sensação é de que está piorando, mas depois de 3 a 4 semanas os efeitos de melhora começam lentamente a aparecer, só agravando se o tratamento for interrompido .

Em saúde mental, o conceito de cura tem uma conotação diferenciada, pois a importância primordial está em devolver a qualidade de vida ao paciente. 
Os transtornos mentais são amenizados e controlados pelos medicamentos e, dependendo do que foi usado, poderá causar dependência, caso não tenha acompanhamento do psiquiatra. 
O que não pode haver é automedicação.

A família sempre tem importância fundamental no tratamento e consequente resultado na recuperação do paciente.

O apoio sem cobranças, a participação nas atividades incentivando o paciente a retornar ao que gosta, respeitando seu limite e o resultado do tratamento. Verificar também se o paciente não irá fazer uso de drogas durante o tratamento, pois poderá desencadear novas crises de pânico. Portanto, se o tratamento for o correto, a melhora poderá ocorrer.

Teste para síndrome do pânico

Se você tem sentido crises  de forma inesperada, abrupta e sem motivo aparente, avalie quantos desses  sintomas  você apresenta durante a crise:

• Contração muscular (rigidez)
• Taquicardia, Palpitações (o coração dispara)
• Tontura, atordoamento, náusea
• Dificuldade de respirar (boca seca)
 Dormência ou formigamento
• Calafrios (ondas de frio) ou Sudorese (ondas de calor)
• Sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade
• Terror - sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a
acontecer e de estar impotente para evitar tal acontecimento
• Confusão, pensamento rápido
• Dificuldade para relaxar e dormir
• Medo de perder o controle e fazer algo embaraçoso. Irritabilidade.
• Medo de morrer , dor no peito.
• Vertigens ou sensação de debilidade, desmaio. 

Atenção : Se apresentar 4 ou mais sintomas: procure um médico. 
Você pode estar manifestando sinais de uma síndrome do pânico.

Importante: É essencial lembrar que o teste não serve como diagnóstico, serve apenas como uma ferramenta de autoconhecimento  e  não substitui a consulta com um médico, seja ele um psicólogo, psiquiatra ou de outra especialidade, sendo necessária a visita ao consultório médico. 


23 de julho de 2015

Acumuladores- Disposofobia- Transtorno de Acumulação Compulsiva - Luiza Gosuen

"Acumulador Compulsivo é um transtorno emocional onde a pessoa armazena objetos na tentativa de reaver o que a vida foi-lhe retirando no decorrer do tempo, com acontecimentos traumáticos ou desagradáveis. Então, guarda tudo de qualquer jeito e sem nenhum cuidado numa forma desorganizada de punição a si próprio, como se a vida lhe tivesse passado como um furacão, destruindo tudo e arrancado-lhe o sentido de viver. Só conseguirá se reerguer e colocar tudo novamente em ordem, quando perceber que o furacão já passou."  Luiza Gosuen


A Acumulação compulsiva ou Disposofobia (fobia em guardar coisas), consiste no ato de adquirir ou recolher objetos de pouca ou nenhuma utilidade, muitas vezes até encontrados no lixo. A acumulação compulsiva também é conhecida como Síndrome Diógenes, em referência ao filósofo grego que vivia como um mendigo recolhendo da rua inúmeros objetos sem valor. Talvez seja esse o primeiro relato de acumulação compulsiva na história.

Acumulação compulsiva é um transtorno emocional que abrange o comportamento com atitudes obsessivas dificultando um ato simples, que para muitos é fácil e até corriqueiro, que é o de se desfazer ou indispor de objetos sem necessidade. Isso, geralmente causa transtornos para a pessoa que sofre da doença e para os demais membros da família com prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal.

Os Acumuladores Compulsivos juntam grande quantidade de coisas e tudo sem higiene, sem local apropriado para a estocagem, ocupando toda área da casa sem nenhum senso critico em relação à normalidade de funcionamento da casa. Nos casos graves o paciente começa com o armazenamento no próprio quarto, acumulando quinquilharias, colecionando todo tipo de objeto, depois passa para outros cômodos da casa e do quintal, até ficar tudo ocupado sem condições até mesmo de circular dentro da casa. Esse comportamento apavora familiares e amigos, pois além de ser uma atitude que causa angústia a quem vê, tem ainda o problema de surgimento de todo tipo de animal peçonhento devido ao lixo e falta de higiene. 

Importante esclarecer que existe uma notável diferença entre o Acumulador Compulsivo e o Colecionador, pois apesar do Colecionador ser também compulsivo em adquirir objetos para suas diferentes coleções, ele tende a organizar os objetos racionalmente, algumas vezes até em prateleiras ou estantes personalizadas e respeita de maneira sensata o espaço dos demais dentro da casa. Os Acumuladores Compulsivos, por sua vez, são incapazes de organizar o seu espaço de convivência, perdem o autocontrole para adquirir ou se desfazer das coisas, não respeitam os espaços dos demais moradores da casa, que acabam indo embora deixando-o sozinho com suas tralhas.

Qual a relação entre Acumulação Compulsiva e TOC 

Estudos tendem mostrar que a Acumulação Compulsiva (AC) é uma síndrome separada do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) apesar de ter muitos sintomas semelhantes ao TOC como fobias, ansiedade e depressão. Alguns pacientes com Acumulação Compulsiva grave nem sempre apresentam os critérios diagnósticos para o TOC. 

Atualmente o Transtorno de Acumulação Compulsiva está classificado isoladamente no DSM-5 (Classificação Norte- Americana de Psiquiatria), por se tratar de um distúrbio distinto do TOC porém, a Acumulação Compulsiva pode ser um sintoma de certos casos de TOC, quando recebe o nome de “Colecionismo”.
Segundo critérios de diagnóstico da DSM-5,  os sintomas da doença são suficientes para causar sofrimento significativo ou prejuízo no seu desempenho profissional , social e ocupacional do paciente. A maioria dos pacientes com Acumulação Compulsiva (AC) tende a ser de mulheres e em idade mais madura.

Diagnóstico 
Algumas atitudes observadas para definir o diagnóstico de Acumulação Compulsiva(AC):
1- Recolher e acumular excessivamente bens e objetos como sucatas ou lixo, embalagens, jornais velhos, potinhos, eletrodomésticos estragados, etc... e amontoá-los de qualquer maneira.
2- Incapacidade ou grande dificuldade, seguida de angústia e indecisão para descartar os objetos acumulados.
3- Viver em condições precárias de salubridade e em desorganização por conta do acumulo excessivo dos objetos, além de não permitir que ninguém arrume ou limpe essa bagunça.
4- Desvirtuar o espaço da casa para ocupá-lo com os objetos acumulados.
5- Negar que seja exagerado o acúmulo compulsivo de coisas.
6- Ter vergonha e constrangimento deste hábito e, mesmo assim, não conseguir controlar o impulso.

Uma das recomendações dos manuais de classificação, com a finalidades de avaliar a gravidade do quadro é sobre o juízo crítico e noção da morbidade que o portador do transtorno tem sobre sua situação.
Um outro requisito para o diagnóstico de Acumulação Compulsiva é que todos esses sintomas não fazem parte do quadro sintomático de outro transtorno mental, como demência, estados confusionais e o TOC. 

Importante levar em conta os critérios de valores e as crenças dos pacientes sobre seu comportamento de coleta excessiva de objetos. No caso da Acumulação de Animais avalia-se, da mesma forma, o juízo crítico sobre o controle do espaço, os eventuais problemas sanitários envolvidos, a qualidade de cuidados dispensada aos animais, entre outros.

Alguns casos de TOC  que não tiveram sucesso no tratamento se aplicam também no caso dos Acumuladores Compulsivos. 

Existe três critérios importante de sucesso no tratamento e estão atrelados a autocrítica do paciente:
1- Visão boa ou razoável em relação a doença: Quando o paciente reconhece que as crenças e comportamentos referentes à dificuldade de descartar objetos recolhidos e  à desordem são realmente problemáticas e gostaria que não fosse assim.
2- Percepção Pobre em relação a doença: É quando o paciente acredita que  seu comportamento referentes a dificuldade para descartar objetos, à desordem ou acúmulo excessivo não são problemáticas, apesar das evidências mostrarem o contrário.
3- Percepção Delirante da doença: Quando o paciente está completamente convencido de que seus comportamentos apresentados não causam problemas nem para ele nem para os outros, e que tudo é normal. A ausência dessas percepções é um dos fatores consistentemente associados ao insucesso do tratamento, bem como ao abandono dos medicamentos e da terapia.


Embora a acumulação compulsiva não seja uma perturbação mental presente desde sempre na vida da pessoa, alguns traços de personalidade cumulativa e comuns nesse transtorno podem ter existido precocemente como guardar cadernos de anos passados, roupas que não servem mais, objetos quebrados ou remendados, cartas ou bilhetinhos de pessoas que passaram pela sua vida, etc... Em momento oportuno eclode a doença, seja depois da morte de um familiar, diante de dificuldades econômicas, de conflitos pessoais ou profissionais, enfim, depois de uma experiência vivencial mais traumática. 

Tratamento
A terapia cognitivo-comportamental é um tratamento adequado, pois atua diretamente nos problemas emocionais do paciente para localizar as causas da acumulação compulsiva e descobrir as raízes da ansiedade. Essa terapia pode durar meses e até anos e exige grande persistência do paciente no processo de recuperação para garantir sucesso e que, o paciente acumulador compulsivo possa readquirir novos hábitos , equilíbrio emocional e normalidade nas atividades de vida diária.

A terapia pode algumas vezes ser combinada com a medicação, agilizando os resultados. Os medicamentos usados são semelhantes aos que são administrados em pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, que são os inibidores da reposição de serotonina, além de outros antidepressivos.

22 de julho de 2015

Anorexia e Bulimia - Angústias assassinas - Luiza Gosuen

"Anorexia é uma angústia enganosa e assassina que invade o espelho deformando seu reflexo em algo devastador que sua imaginação produz. Um medo da singularidade. Medo de sua imagem. Um pavor que destrói antes mesmo do espelho revelar sua imagem e vem então a necessidade incontrolável de diluir-se em si mesma, cada vez mais." Luiza Gosuen

A anorexia nervosa é um transtorno psicológico que leva ao distúrbio alimentar relacionado à compulsão pela insatisfação do peso corporal.  Mais comum entre as mulheres, porém vem aumentando a frequência entre os homens. Achando-se sempre que está acima do peso ideal, a pessoa acometida procura de maneira obsessiva um  emagrecimento descontrolado e, até injustificado. Para isso, não mede esforços. Faz exercícios físicos diários por longos períodos com intensidade exagerada, faz jejum prolongado e força vômitos por qualquer coisa que come , toma laxantes e diuréticos; mesmo que sua aparência já esteja extremamente magra.

As causas  deste distúrbio estão relacionadas a alterações nas concentrações de serotonina e noradrenalina, e ganha reforço pela divulgação de um padrão estético magro, imposto pela mídia, como sendo sinônimo de beleza. Com essa compulsão aumentando a cada dia surgem problemas como fraqueza muscular (atrofias), perda de massa óssea, insuficiência rena , anemia, hipoglicemia, problemas cardíacos  e até risco de infecções podendo levar a morte por parada cardíaca e hipovolemia (quando há perda de quantidades grandes de sangue e líquidos). Sem contar os problemas emocionais que contribuem para uma depressão, podendo ocasionar até mesmo o suicídio. 

É preciso ficar atento, pois a pessoa anoréxica não reconhece que está perdendo peso muito rápido, mas a presença de alguns sintomas são preocupantes como: perda de cabelos, intolerância ao frio, preocupação doentia com as quantidades de calorias dos alimentos, pular ou rejeitar refeições, comportamentos isolados e depressivos , medo exagerado de engordar. Esses são fatores que merecem ser analisados atentamente para um diagnóstico cuidadoso elaborado por profissionais da área da saúde e em seguida um tratamento rigoroso.

O tratamento deve ser realizado por equipe multidisciplinar como psiquiatra, psicólogo e nutricionista, visando harmonizar de maneira gradativa o estado emocional , autoestima e a recuperação do peso corporal .O tratamento é lento e demorado, em alguns casos pode-se levar anos para se reverter o caso da depressão e o equilíbrio do peso. Utiliza-se de medicamentos, suplementos alimentares e terapias. Em alguns casos poderá ser usado medicamentos controlados como caso dos antidepressivos e o acompanhamento deve ser mantido por um período após o término do tratamento, para garantir total recuperação do paciente. A prevenção é importante para que não venha acontecer de só perceber o transtorno quando o paciente já está com muitos sintomas. É preciso ficar atento de alguma mudança nos hábitos, principalmente se o paciente sempre teve prazer em comer, apreciar alimentação saudável como uma norma familiar e fazer prática moderada de exercícios físicos.

Os sintomas da anorexia nervosa são:
  • Olhar-se várias vezes ao dia no espelho e se vê gordo, mesmo estando muito magro;
  • Evitar fazer as refeições, não ir a festas ou a restaurantes por medo de engordar;
  • Ter pouco ou nenhum apetite;
  • Sentir tontura;
  • Reclamar de fraqueza;
  • Estar sempre desanimado. 
A taxa de mortalidade é uma das maiores dentre os transtornos psiquiátricos e a causa dos óbitos estão relacionados a inanição e suicídio.
O paciente geralmente acha que não está com nenhum problema por considerar que apenas está fazendo o controle de seu peso, mesmo que familiares e amigos reforcem que está magro demais, o paciente não irá ouvir pois ao olhar-se no espelho verá uma pessoa gorda.

Bulimia é também um transtorno alimentar onde o bulímico come de maneira compulsiva uma grande quantidade de alimento, depois se arrepende e  para desfazer seu ato, provoca vômitos como uma maneira de se livrar do que ingeriu. Outras maneiras usadas são: fazer exercícios físicos por longos períodos, tomar laxantes e provocar diarreias (purgação).

A falta de nutrientes e a desidratação pode trazer consequências como a osteoporose, e o número de vômitos provocados, que pode chegar por volta de até 20 vezes ao dia, podendo levar á perda de eletrólitos (sais minerais).

O tratamento, como na Anorexia é demorado e lento e pode ser necessário a utilização de vitaminas e suplementos alimentares para superar a desidratação e restabelecer o peso ideal com reeducação alimentar. Também recomenda-se terapia psicológica para equilíbrio do estado emocional e até medicamentos que controlem os vômitos.

16 de julho de 2015

Alzheimer-Óculos com identificador/ Exame de sangue preventivo - Luiza Gosuen

A antecipação da enfermidade poderá ser possível graças a um conjunto de proteínas encontradas no sangue, ainda em pesquisas

Segundo Ian Pike, médico da Proteome Sciences, companhia que faz pesquisas na área farmacêutica, o exame de sangue levará tempo e mais testes com pacientes para que seu uso rotineiro possa ser viabilizado. “Mas este processo pode ser iniciado agora”, afirmou otimista.
Mesmo com os consideráveis avanços, caso o exame esteja disponível em clínicas no futuro, é improvável que o teste seja feito de maneira isolada. Para um resultado positivo, tomografias cerebrais e testes de fluidos da coluna vertebral também serão necessários.
Comum em idosos, o mal de Alzheimer é uma doença geralmente relacionada à velhice ou à “caduquice”, como classificam maldosamente algumas pessoas. A enfermidade que atualmente assola aproximadamente 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo poderá ser prevenida com mais facilidade. É que um estudo realizado por cientistas britânicos promete identificar, por meio de um exame de sangue, as chances de uma pessoa desenvolver a doença.
A identificação é possível graças a um conjunto de proteínas no sangue que pode prever o surgimento da enfermidade com 87% de precisão. Para chegar a este resultado, os pesquisadores investigaram diferenças no sangue de 452 pessoas saudáveis, 220 com danos cognitivos moderados e 476 com a doença. Assim, eles puderam confirmar que a grande maioria dos pacientes com danos cerebrais moderados desenvolveriam Alzheimer no ano seguinte.
“Nós queremos poder identificar o quanto antes as pessoas que vão precisar fazer exames mais aprofundados num futuro próximo,” afirmou a líder da pesquisa, Simon Lovestone, da Universidade de Oxford. No entanto, os especialistas alertam que ainda não há previsão para que o exame esteja disponível em clínicas ou hospitais da Grã-Bretanha.

Outra novidade surgindo:
Óculos com identificador de pessoas para portadores de Alzheimer e Parkinson


É um projeto que está sendo desenvolvido pela Universidade de Singapura e que promete trazer qualidade e mais segurança para a vida das pessoas que possuem alguma demência ou déficit de memória.
Os óculos vão funcionar como uma espécie de “reconhecedor”, que irá fazer uma leitura das pessoas e lugares que estão à volta, repassando ao doente as informações. O aparelho também vai ajudar na realização das tarefas, através de informações que serão passadas para quem o estiver usando, como lembrar o doente de tomar o remédio na hora certa.

As pesquisas vêm sendo feitas em colaboração com hospitais e clínicas especializadas em pacientes com demência, conta  Lim Joo Hwee, um dos responsáveis pelo projeto. Ainda não há data para que os óculos estejam disponíveis no mercado.

**Importante:
Enquanto o projeto não for concluído temos que ter atenção voltada aos pacientes com as ferramentas que podemos utilizar até o momento, pois a Demência é uma doença que acarreta problemas cognitivos significativos com alteração nas orientações espaciais e temporais, perda da memória, dificuldade na fala e comunicação, raciocínio prejudicado, concentração dispersa, comprometimento na realização das tarefas cotidianas e perda importante da visão.

A visão fica com distorções que levam o paciente a ter muita dificuldade na identificação das cores e devemos usar sempre cores fortes e contrastantes para ajudá-lo a se localizar dentro de casa. Se o corredor for todo branco e as portas também com cores claras, para o paciente é tudo corredor e não irá perceber onde estão as portas. Para que possa facilitar o acesso aos quartos, as portas devem ter cores mais fortes. 
Se na casa tiver portas de vidro recomenda-se aplicar fitas adesivas grandes e coloridas, que fiquem à altura dos olhos evitando que tenha acidentes de bater a cabeça e se cortar.

Caso tenha escadas, o que não é recomendado, mas se tiver  a parte superior dos degraus devem se pintados de cores chamativas, com destaque para o primeiro e último degrau e ter corrimão contrastante com a cor da parede de maneira que chame a atenção do paciente.

O mesmo acontece com tapetes com grandes desenhos geométricos ou pisos com quadrados ou listrados que podem confundir o paciente devido sua alteração no plano figura fundo.

Se o paciente passou a utilizar de óculos recentemente, pode também ter uma lentidão na adequação das novas lentes e para que não desista dos óculos, coloque-os presos a uma corrente, onde ficará pendurado no pescoço para facilitar o manejo. 

A luz ambiente deve ser adequada e os cômodos devem estar sempre com boa iluminação, principalmente ao entardecer, pois é uma hora que traz muita confusão mental para esses pacientes gerando ansiedade e agitação nesse horário. Essa é a Síndrome do pôr-do-sol ou Sundown Syndrome.


Leia mais sobre a doença:

Tudo sobre Alzheimer - para cuidadores e familiares:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/01/alzheimere-o-tempo-levou-minha-historia.html

Pesquisa traz esperança para futuros portadores de Alzheimer:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/02/pesquisa-recente-traz-esperanca-para.html

Alzheimer independe de envelhecimento:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/03/alzheimer-independe-de-envelhecimento.html

2 de julho de 2015

Evolução do Alzheimer -(Vídeo) - Luiza Gosuen

Um vídeo que mostra de maneira simples como a Doença de Alzheimer
atua no organismo e como atinge os órgãos que comprometem a saúde 
física, mental e emocional do paciente. 
Uma doença hereditária e até o momento sem cura, que afeta não só 
idosos, mas também inclusive pessoas jovens, saudáveis e atuantes.


Alzheimer... uma brisa que chega de leve, sutil e branda, como quem não quer incomodar e aos poucos vai invadindo os espaços,  soprando cada vez mais forte
até se tornar um tornado, que de maneira devastadora arrasta e destrói tudo.
E depois, apenas o nada. Retorna então a brisa e a calmaria... eterna.”  
Luiza Gosuen



Leia mais sobre a doença:

Tudo sobre Alzheimer - para cuidadores e familiares:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/01/alzheimere-o-tempo-levou-minha-historia.html

Pesquisa traz esperança para futuros portadores de Alzheimer:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/02/pesquisa-recente-traz-esperanca-para.html

Alzheimer independe de envelhecimento:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/03/alzheimer-independe-de-envelhecimento.html

18 de junho de 2015

Ódio ou Raiva (qual a diferença) - Luiza Gosuen

 O ódio é uma força propulsora que pode induzir a pessoa a um pensamento obsessivo de vingança que irá impedi-la de pensar em qualquer situação que não seja de destruir, esganar e até matar.
O ódio é uma carga alta de sentimentos destrutivos que impedem a pessoa de raciocinar com discernimento. Seu pensamento é apenas de exterminar o que a incomoda, então planeja e executa.  


O ódio desorganiza os sentimentos, catalogando-os para situações reais ou imaginárias, induzindo a tomar atitudes que fortificam os pensamentos obsessivos para traçar uma meta de vingança. Esse comportamento irá conduzir uma nova rota de vida , delimitando os pensamentos apenas para execução do mal, estreitando sentimentos, apagando lembranças e desvirtuando vivências.

Dependendo do acontecimento, o ódio pela situação vivida leva a pessoa a despertar da situação onde era feita de fantoche por familiares, enganada por funcionários ou traída pelo companheiro fazendo que agora ela desvende o que não queria ver antes ou o que realmente não sabia que se passava, mas se a pessoa tem controle emocional, valores e princípios de vida, irá apenas se afastar do problema, corrigir o erro sem cometer atos de atrocidade. 

Nesse caso, o ódio retira a pessoa do comodismo, abre horizontes, clareia pensamentos que estavam embotados e faz com que perceba que não é um ser dependente de outro, que não é limitado. Faz com que tenha noção que tem garra e pode seguir em frente, sem usar de vingança ou de atitudes pífias. O ódio nesse caso, fez um bem a essa pessoa que agora será capaz de seguir seu caminho, com novos propósitos e agora com uma nova meta a atingir.

Sigmund Freud escreveu pela primeira vez em 1930, sobre o conflito existente entre nossos impulsos agressivos e a repressão desses impulsos pela vida em sociedade, sendo que a força resultante entre os impulsos e a repressão gera a culpa, que é o que nos leva ao controle e, ainda assim, em momentos de cólera, ninguém estaria livre de cometer algum ato impensado e violento.


A raiva é um descontrole emocional que resulta num ato de ira momentânea onde a pessoa pode não tomar nenhuma atitude drástica em relação a quem a ofendeu, porém guarda mágoa e fica remoendo aquela situação indigesta por anos, sem conseguir resolver e nem perdoar o outro.
Nas crianças pequenas, pelo fato de não ter discernimento ainda estabelecido, quando ocorre alguma coisa que desperta esse sentimento, ela revida instantaneamente com uma mordida, puxão de cabelo, empurrão,tapas, murros ,beliscões ou crise de birra jogando coisas no chão. 

Não adianta esconder quando a raiva aparece, fica revelado no semblante, no olhar, na postura corporal, na inquietação visível e até nas palavras que muitas vezes são agressivas e desinteligentes. É uma estratégia de nosso organismo frente a uma agressão, e isso é uma atitude normal. Tentar esconder ou disfarçar ocasiona um mal ainda pior. É preciso ser racional e não ter atitudes impulsivas nesse momento, pois são essas atitudes que irão trazer complicações em sua vida. Tente se acalmar e não revide. Reflita sobre o fato, só então o controle estará restabelecido.

Algumas vezes, quando o oponente não está na hora da raiva costuma-se descontar a carga negativa de cólera em quem está por perto, que quase sempre não tem nada a ver com o que provocou a situação.
Por exemplo, a mãe fica brava com alguma coisa que ficou sabendo do marido e se o filho grita ou deixa cair um copo, a mãe bate na criança com tanta força que pode chegar a machucar. Isso porque enquanto bate está despejando na criança o que está sentindo em relação ao marido.
Outra situação comum de raiva acontece no trânsito com provocações e intolerâncias e, se você for querer tirar satisfação e seguir o carro para descontar a provocação poderá atingir outro carro ou atropelar alguém no caminho. Portanto, cuidado com as reações nesse momento para não se arrepender depois.

Quando a explosão de raiva é desproporcional pode indicar um problema fisiológico, no córtex pré-frontal que é a área do cérebro responsável pelo controle de nossos impulsos e nesse caso é preciso uma avaliação psicológica e tratamento com terapia. Acredita-se que reações raivosas descontroladas podem estar ligadas a fatores de autoestima rebaixada e insatisfação consigo mesmo que elevam  o nível de estresse, podendo provocar inquietações exageradas.

Nem sempre falar sobre o problema com familiares ou amigos poderá ajudar, pois tendem a ficar do lado de quem está sendo "injustiçado" e isso pode aumentar ainda mais a raiva contida em relação ao oponente. Procurar um profissional é a maneira mais assertiva.