25 de setembro de 2018

AIT- Acidente Isquêmico Transitório- Distúrbio neurológico e emocional - Luiza Gosuen

"AIT- Acidente Isquêmico Transitório é um apagar das luzes num momento de tensão, onde o cérebro se desliga por alguns minutos e pede ajuda, mas logo se recompõe" Luiza Gosuen.

AIT - Acidente Isquêmico Transitório é uma alteração neurológica na função cerebral, causada por um bloqueio temporário do sangue que irriga o cérebro. Provocado por uma disfunção na artéria carótida localizada no pescoço e que junta com a artéria aorta levam sangue ao cérebro e aos tecidos da face. Agravado pelo stresse, ansiedade, problemas emocionais e alimentação desregrada, esse processo costuma ser rápido e dura alguns minutos, sendo que em alguns casos pode durar mais de um hora. A pessoa pode ter crises repetidas durante o dia ou apenas umas duas em anos diferentes no decorrer da vida. Passado esse processo o paciente volta sua recuperação total, por isso o nome transitório.

Causas

Essa disfunção se dá, entre outras causas,  em decorrência da má alimentação durante o decorrer dos anos e  falta de atividade física que leva a formação de uma placa, pelo acúmulo de gordura e colesterol, no interior da artéria dificultando a passagem do sangue. Esse fenômeno chamamos de Aterosclerose.
Se a pessoa já tiver Aterosclerose potencializa a probabilidade do AIT principalmente nos quadros de Hipotensão (pressão arterial baixa), Anemia (deficiência de glóbulos vermelhos) e Policitemia (sangue espesso).
Se acontecer um  entupimento na artéria em proporção maior que dificulte por completo a passagem do sangue, irá causar trombos que poderão romper a artéria.
É o que chamamos de AVC (Acidente Vascular Cerebral)

* Se o paciente teve recuperação, mas ficou alguns sintomas , mesmo que poucos é porque não foi  AIT  e sim AVC.
Quando esses trombos  se deslocam para os  vasos sanguíneos causa o que chamamos de Tromboses, que são rompimentos de vasos menores.

Fatores de risco

*Fatores hereditários (problemas cardíacos, infarto, derrame)
*Alimentação não saudável
*Vida sedentária
*Excesso de peso
*Diabetes
*Pressão arterial alta
*Uso abusivo de sal, açúcar, comidas gordurosas e embutidos
*Aumento do Colesterol ou Triglicérides
*Tabagismo
*Uso de bebida alcoólica
*Idade (maior frequência quanto maior a idade, mas em jovens também pode ocorrer)

Sintomas

Geralmente é assintomático e surge de repente, mas podemos enumerar algumas alterações:
*Sonolência
*Perda repentina da força de um dos membros - braço ou perna
*Perda da sensibilidade em um dos lados do corpo.
*Alteração súbita da fala, sem conseguir repetir uma frase ou ter fala enrolada.
*Dificuldade de equilíbrio no andar , com náuseas e vômitos.
*Boca pode entortar para um dos lados.
*Visão embaçada ou visão dupla
*Convulsão
*Dor e cabeça muito forte


Os sintomas são provenientes dos fatores de risco.
O Diabetes bem como o fumo, aumentam o risco de rompimento das artérias e quando isso acontece as plaquetas do sangue logo vão tratar de se aglomerarem para estancar essa hemorragia,  porém até esse acúmulo das plaquetas pode causar trombos.
Evite bebidas alcoólicas, gorduras saturadas, muito doces e comida salgada demais e estimule a atividade física em sua vida.

Dos fatores de riscos podemos nos  prevenir com maiores cuidados na alimentação e cuidados com a saúde, apenas0 fator idade é inevitável, já que nem mesmo as terapias hormonais na menopausa garantem a incidência da Aterosclerose. O melhor mesmo é ter hábitos saudáveis para poder envelhecer sem esse susto ou colocar sua vida em risco.

Diagnóstico

Na consulta de rotina ao auscultar o coração com um estetoscópio e perceber um som como de um sopro - quando o fluxo sanguíneo é impulsionado para passar pela artéria que já deve estar estreita -  isso é sinal de alerta e pode ser Aterosclerose.
Outras alterações que devem ser consideradas é: enxaqueca, convulsões , tumores cerebrais e para isso exames mais detalhados irão complementar o diagnóstico.
Confirmado o caso de AIT a pessoa é hospitalizada por um curto período onde será feito avaliações para descartar fatores de risco para AVC.
No diagnóstico também pode ser necessário exame de imagens quando se tem o rompimento da artéria. O exame irá mostrar além do rompimento, a extensão da obstrução.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade do quadro. Para cada paciente o médico pedirá um procedimento e tudo vai depender da rapidez que o paciente foi levado ao hospital.
A primeira emergência é fazer a Tomografia do crânio e Angiotomografia do crânio e pescoço, Exames de sangue e Ecocardiograma.

 
Pode ser pedido ainda Angiografia  por Ressonância Magnética  que analisa os vasos sanguíneos e proporciona os seguintes diagnóstico: Aneurisma -vaso dilatado no cérebro que pode se  romper, Estenoses - estreitamento da válvula aórtica-  e Oclusão nos vasos sanguíneos.



Outros exames podem ser pedidos dependendo do caso:  Holter de 24 horas (eletrocardiograma que controla o funcionamento do coração por 1 dia) e Dopper Transcraniano (ultrassonografia que analisa o fluxo sanguíneo no cérebro)


A primeira recomendação é eliminar o cigarro e os fatores de risco  fazendo os exames de sangue, diabetes, colesterol e o controle da hipertensão para avaliar o grau de comprometimento. Pode ser necessário também o uso de anticoagulantes no sangue.

 

Depoimento de uma paciente com AIT:

Estava em casa vendo TV, esperando minha filha chegar do trabalho. Não estava sentindo mal, não tinha dor de cabeça e o coração estava sem palpitação. Depois que minha filha chegou, comecei  sentir uma sensação ruim, um desconforto no estômago e nas costas. No estômago, parecia uma má digestão e nas costas era como uma forte pressão forçando o peito. Fomos ao Pronto Socorro e a Pressão arterial estava muito alta, de 24/16. Logo foi aplicado injeção nas nádegas e comprimido sublingual para o controle da pressão. Foi pedido Tomografia, Exames de sangue, Raio X  do tórax  e revelado pequenas manchas no pulmão em decorrência de ser fumante, Raio X de quadril e evidenciou várias manchas por gases. Realizaram ainda Endoscopia, Colonoscopia e Ecocardiograma, e nesses exames não acusou resultado comprometedor em nenhum deles.

 Fiquei internada por 2 dias. A pressão baixou para 18 e um dia depois baixou para 15. Fui mandada pra casa à noite. Em casa estava com dificuldade de percepção temporal e não me lembrava se tinha tomado os remédios pela manhã. Apresentava ainda, dificuldade de lembrar as coisas rapidamente, de gravar coisas recentes e esquecia o que está fazendo. Minha filha percebeu que eu estava estranha e não dizia coisa com coisa, como se eu tivesse drogada. Voltou comigo para o hospital e em nova avaliação fui diagnosticada com AIT (Ataque  Isquêmico Transitório), onde fui medicada e encaminhada a um Neurologista que confirmou o quadro de AIT  com causas no Stresse, Ansiedade, Pressão alta e Sedentarismo e alertou para o risco de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). 
Comentei com o Neurologista que em fevereiro tive um problema com o nervo Trigêmeo da face. Estava na rua, num dia de muito calor, então entrei no carro e liguei o ar condicionado no forte e com o choque de temperatura tive problemas no lado esquerdo do rosto, com dores fortes perto do ouvido irradiando para os dentes. Fui diagnosticada com um quadro de Nevralgia, mas que fora classificado como brando e passou em poucos dias amenizando os sintomas com medicamentos e bolsa de água quente à noite. Não entortei a boca e nem fiquei com dificuldade na fala.

O quadro de  pressão alta se instalou desde os 40 anos, quando perdi meu  marido com um câncer na cabeça, sem possibilidade de cirurgia e que faleceu em menos de 3 meses. A perda do meu marido  e a preocupação de cuidar sozinha de 3 filhos adolescentes, fez com que a pressão agora ficasse sempre alta independente do estado emocional - se alegre ficava alta, se triste estava alta também . Tempo depois outro choque, quando perdi um filho jovem deixando a namorada grávida quase pra dar a luz, começa então o quadro de Depressão que dura até hoje.  Fiz uso de vários antidepressivos e alguns tinha reações colaterais como taquicardia ou  pressão muito forte na cabeça e rosto - tudo sempre usando altas dosagens indicada por médicos. Tentei retirar os medicamentos, mas não consegui, tive que retomar com o uso contínuo do antidepressivo. Hoje estou tentando um outro antidepressivo e até agora, não tive as reações adversas que me tiravam a qualidade de vida diária. Apesar desse medicamento ser indicado  potencialmente para Fibromialgia, o que não tenho, foi indicação médica por ser também para Depressão.  
Quanto aos remédios de pressão alta continuo tomando muitos, 4 pela manhã e à tarde mais 2. 

Fiz tratamento  com Psiquiatra e Terapia com Psicóloga, por um longo período e gostei muito, inclusive os florais receitados pela psicóloga me fazia sentir muito bem, a ponto de achar já estar curada e até interrompi a terapia, o que me arrependi. Agora planejo voltar com a terapia e dessa vez, não ocultar nada do que vivenciei  e que não comentei com a terapeuta, pois sei o  peso que isso me custou. 

**IMPORTANTE

Nossa vida é marcada por momentos que podem nos trazer boas lembranças e reforçar a qualidade da nossa maneira de viver, porém se decidirmos viver sem nos preocupar com os anos que virão e não procurar por escolher uma boa alimentação, regrar o estilo de pensar e viver como se não houver amanhã, que nada possa nos atingir , que seremos eternos, que tudo só acontece com os outros, iremos pagar um preço caro, pois nosso corpo cobra cada displicência que fizermos com ele. 

Evite:

*Comer bobagens e beber refrigerantes,
*Substituir a água por qualquer outra bebida quando estiver com sede,
*Comer embutidos e alimentos com muito açúcar,
*Fumar, fazer uso de bebidas alcoólicas  e entorpecentes,
*Noitadas e poucas horas de sono, 
*Pessoas negativas e trabalhos que explorem seu talento,
*Rever seu casamento se não estiver feliz,
*Trabalhar de maneira exagerada - dinheiro não é tudo,
* E, o mais importante...sorria muito, se divirta, tenha tempo para seus filhos e amigos e não deixe de dizer "eu te amo" a quem fizer seu coração se alegrar.

São coisas que parecem simples, mas que prolongam nossa vida e faz tudo valer a pena. Pense nisso!! 

Veja também
https://luizagosuen.blogspot.com/2015/03/avc-acidente-vascular-cerebral.html 

9 de setembro de 2018

Tricotilomania- Transtorno de puxar e arrancar os pelos do corpo - Luiza Gosuen


 
" Tricotilomania é um transtorno psicológico com impulsos incontroláveis de arrancar pelos do corpo proporcionando uma satisfação imediata com o ato. É como resolver de forma instantânea tudo que está causando aborrecimento, incômodo ou mal-estar, ou seja arrancando o pelo senti-se como que eliminando aquele conflito do momento. Só depois passa a sensação de sufoco e volta o alívio. É uma pedra no caminho que precisa ser retirada - agora".  Luiza Gosuen..






Tricotilomania - O nome vem do grego Trico (cabelo) + Tilo (puxar) + mania. Esse comportamento de puxar e arrancar os pelos (Tricotilomania- TTM) apesar de se ter registro desde a Antiguidade,  foi somente na última década que se tornou um diagnóstico importante, considerando o aumento de casos na população, cerca de 3% e  só  agora foi  incluída no DSM-IV-TR  (The Diagnostic and  Statistical  Manual of  Mental Disorder 4 - Text Revision), como sendo um Transtorno no Controle dos Impulsos.


 É um impulso incontrolável e recorrente de arrancar os cabelos, cílios, sobrancelha, barba ou bigode. Não muito frequente, temos casos com impulso por arrancar pelos dos braços, pernas, púbis e tórax. 
O paciente normalmente tem um ritual para esse procedimento. Alguns escolhem previamente o fio que irá puxar e pode escolher diversos critérios desde,  os fios brancos, finos, grossos crespos e fazem isso de maneira consciente.  Em outros casos, o processo acontece de maneira automática diante de alguma situação como: lendo, dirigindo, trabalhando, falando ao telefone, ouvindo uma palestra ou  vendo um filme, onde arrancam os fios sem nem perceber ou se dar conta do que fizeram. E, muitas vezes, o processo ainda continua, passando os fios nos lábios, mordendo a raiz, enrolando os fios nos dedos e depois engolindo. Tudo isso quase que num procedimento de acariciar-se, para aliviar a tensão e trazer bem-estar e prazer ao paciente.

Consequência



Apesar do prazer que o paciente sente depois do ato, essa prática é uma automutilação e traz consequências sérias como alopecia ( calvície ou falhas) que gera constrangimento principalmente para as mulheres, levando à  insegurança, isolamento, vergonha e culpa. A pessoa passa a usar bonés, lenços, chapéu, roupas de manga longa e outros acessórios para disfarçar o problema, adiando a procura por ajuda e até mesmo de ser observado por pessoas próximas.

Causas

 Podem estar ligadas a hereditariedade e alterações químicas do cérebro que envolvam a deficiência de alguns neurotransmissores como a dopamina, noradrenalina e serotonina, responsáveis pelo humor e satisfação . Algumas crianças por sofrer discriminação, preconceito, bullying e abuso sexual podem apresentar esse comportamento e não contar nada a ninguém, bem como adolescentes por volta de 11 a 15 anos, com tendências depressivas, transtorno obsessivo compulsivo, conflitos de relacionamento social  em casa (com pais e irmãos), na escola (com professores e cobrança no desempenho escolar), no pessoal (com colegas e namorado) ou alteração nas funções hormonais que cause ansiedade e angústia..

Sintomas


*Puxar os fios de qualquer parte do corpo, repetidas vezes
*Sentir satisfação em arrancar os fios.
* Sentir-se aliviado e desestressado após arrancar os fios. 
*Ter um certo ritual antes de arrancar os fios como: enrolar no dedo, massagear,   
  esfregar os fios entre os dedos.
*Arrancar o fio e morder, mastigar ou engolir os fios. Outras vezes, ficar    
  enrolando os fios entre os dedos e fazer bolinhas.
*Stresse e ansiedade
*Obstrução intestinal

Pessoas com esses comportamentos também desenvolvem outros hábitos como: morder os lábios, roer as unhas, tirar melecas do nariz e comer.
Muitas vezes,só é percebido por familiares quando já está avançado o processo pois praticam essas manias quando estão sozinhas. Mudam  os hábitos de se vestirem com acessórios para esconder o problema da falta dos cabelos.
Os sintomas podem começar na infância, adolescência ou na fase adulta. Normalmente, mais frequente entre as mulheres. 


Sintomas mais comuns observados são: depressão, baixa autoestima, mal humor, stresse emocional, ansiedade. No trabalho, pode interferir no relacionamento com outras pessoas por sentir-se socialmente isolada e com vergonha de seu problema. Nos relacionamentos pessoais também se afasta para não ter que revelar seu problema com seu parceiro.
 No físico, pode interferir no trato digestivo com Tricofagia quando engole fios de cabelo e forma benzoares ou seja, bolas de cabelo no intestino causando vômitos, perda de peso, obstrução intestinal e até a  morte.Também pode acometer de infecções na pele em decorrência dos machucados causados.

 
Tricofagia ou Síndrome de Rapunzel é uma doença do trato intestinal que causa obstrução do intestino em decorrência de tufos de cabelos armazenados, formando um emaranhados com os fios que foram engolidos, em pessoas que têm mania de comer cabelo.



 Este é um exemplo de Benzoares  muito grande, que são tufos de cabelos retirados cirurgicamente do intestino de pacientes com tricotilomania.







Tratamento
O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar, começando com um Dermatologista para avaliar a extensão do problema na pele e quando necessário, certificar-se do diagnóstico e tratamento das lesões. Em casos muito graves, o paciente será encaminhado para um Psiquiatra que irá fazer uso de antidepressivos para controle da ansiedade, dos impulsos comportamentais e recaptação de serotonina.  É fundamental o apoio de um Psicólogo com terapia cognitiva comportamental para a reversão do hábito de arrancar os fios e também entender o motivo ou situação do descontrole emocional que leva a pessoa a cometer esse ato de agressividade contra si mesmo. Irá administrar os sentimentos emocionais e a ansiedade com técnica de autocontrole, avaliar o que desencadeia e estimular  novos comportamentos que  proporcionem satisfação, agora sem ansiedade. 
O terapeuta também atua no apoio junto à família, que tem papel essencial no dia a dia, observando o paciente e interagindo com ele no sentindo de  conscientizá-lo do ato no momento do gatilho que dispara o impulso.
A pratica de atividades físicas são recomendadas para aliviar a ansiedade, principalmente na companhia de uma pessoa amiga e de confiança do paciente, para ajudá-lo na autoestima.
Se o paciente aceitar que tem o problema e que precisa de ajuda será mais fácil atingir a meta e conseguir bons resultados.

Não há exames específicos que possam mensurar esse comportamento, porém o exame médico para afastar a possibilidade de outra doença física é muito importante.