25 de setembro de 2018

AIT- Acidente Isquêmico Transitório- Distúrbio neurológico e emocional - Luiza Gosuen

"AIT- Acidente Isquêmico Transitório é um apagar das luzes num momento de tensão, onde o cérebro se desliga por alguns minutos e pede ajuda, mas logo se recompõe" Luiza Gosuen.

AIT - Acidente Isquêmico Transitório é uma alteração neurológica na função cerebral, causada por um bloqueio temporário do sangue que irriga o cérebro. Provocado por uma disfunção na artéria carótida localizada no pescoço e que junta com a artéria aorta levam sangue ao cérebro e aos tecidos da face. Agravado pelo stresse, ansiedade, problemas emocionais e alimentação desregrada, esse processo costuma ser rápido e dura alguns minutos, sendo que em alguns casos pode durar mais de um hora. A pessoa pode ter crises repetidas durante o dia ou apenas umas duas em anos diferentes no decorrer da vida. Passado esse processo o paciente volta sua recuperação total, por isso o nome transitório.

Causas

Essa disfunção se dá, entre outras causas,  em decorrência da má alimentação durante o decorrer dos anos e  falta de atividade física que leva a formação de uma placa, pelo acúmulo de gordura e colesterol, no interior da artéria dificultando a passagem do sangue. Esse fenômeno chamamos de Aterosclerose.
Se a pessoa já tiver Aterosclerose potencializa a probabilidade do AIT principalmente nos quadros de Hipotensão (pressão arterial baixa), Anemia (deficiência de glóbulos vermelhos) e Policitemia (sangue espesso).
Se acontecer um  entupimento na artéria em proporção maior que dificulte por completo a passagem do sangue, irá causar trombos que poderão romper a artéria.
É o que chamamos de AVC (Acidente Vascular Cerebral)

* Se o paciente teve recuperação, mas ficou alguns sintomas , mesmo que poucos é porque não foi  AIT  e sim AVC.
Quando esses trombos  se deslocam para os  vasos sanguíneos causa o que chamamos de Tromboses, que são rompimentos de vasos menores.

Fatores de risco

*Fatores hereditários (problemas cardíacos, infarto, derrame)
*Alimentação não saudável
*Vida sedentária
*Excesso de peso
*Diabetes
*Pressão arterial alta
*Uso abusivo de sal, açúcar, comidas gordurosas e embutidos
*Aumento do Colesterol ou Triglicérides
*Tabagismo
*Uso de bebida alcoólica
*Idade (maior frequência quanto maior a idade, mas em jovens também pode ocorrer)

Sintomas

Geralmente é assintomático e surge de repente, mas podemos enumerar algumas alterações:
*Sonolência
*Perda repentina da força de um dos membros - braço ou perna
*Perda da sensibilidade em um dos lados do corpo.
*Alteração súbita da fala, sem conseguir repetir uma frase ou ter fala enrolada.
*Dificuldade de equilíbrio no andar , com náuseas e vômitos.
*Boca pode entortar para um dos lados.
*Visão embaçada ou visão dupla
*Convulsão
*Dor e cabeça muito forte


Os sintomas são provenientes dos fatores de risco.
O Diabetes bem como o fumo, aumentam o risco de rompimento das artérias e quando isso acontece as plaquetas do sangue logo vão tratar de se aglomerarem para estancar essa hemorragia,  porém até esse acúmulo das plaquetas pode causar trombos.
Evite bebidas alcoólicas, gorduras saturadas, muito doces e comida salgada demais e estimule a atividade física em sua vida.

Dos fatores de riscos podemos nos  prevenir com maiores cuidados na alimentação e cuidados com a saúde, apenas0 fator idade é inevitável, já que nem mesmo as terapias hormonais na menopausa garantem a incidência da Aterosclerose. O melhor mesmo é ter hábitos saudáveis para poder envelhecer sem esse susto ou colocar sua vida em risco.

Diagnóstico

Na consulta de rotina ao auscultar o coração com um estetoscópio e perceber um som como de um sopro - quando o fluxo sanguíneo é impulsionado para passar pela artéria que já deve estar estreita -  isso é sinal de alerta e pode ser Aterosclerose.
Outras alterações que devem ser consideradas é: enxaqueca, convulsões , tumores cerebrais e para isso exames mais detalhados irão complementar o diagnóstico.
Confirmado o caso de AIT a pessoa é hospitalizada por um curto período onde será feito avaliações para descartar fatores de risco para AVC.
No diagnóstico também pode ser necessário exame de imagens quando se tem o rompimento da artéria. O exame irá mostrar além do rompimento, a extensão da obstrução.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade do quadro. Para cada paciente o médico pedirá um procedimento e tudo vai depender da rapidez que o paciente foi levado ao hospital.
A primeira emergência é fazer a Tomografia do crânio e Angiotomografia do crânio e pescoço, Exames de sangue e Ecocardiograma.

 
Pode ser pedido ainda Angiografia  por Ressonância Magnética  que analisa os vasos sanguíneos e proporciona os seguintes diagnóstico: Aneurisma -vaso dilatado no cérebro que pode se  romper, Estenoses - estreitamento da válvula aórtica-  e Oclusão nos vasos sanguíneos.



Outros exames podem ser pedidos dependendo do caso:  Holter de 24 horas (eletrocardiograma que controla o funcionamento do coração por 1 dia) e Dopper Transcraniano (ultrassonografia que analisa o fluxo sanguíneo no cérebro)


A primeira recomendação é eliminar o cigarro e os fatores de risco  fazendo os exames de sangue, diabetes, colesterol e o controle da hipertensão para avaliar o grau de comprometimento. Pode ser necessário também o uso de anticoagulantes no sangue.

 

Depoimento de uma paciente com AIT:

Estava em casa vendo TV, esperando minha filha chegar do trabalho. Não estava sentindo mal, não tinha dor de cabeça e o coração estava sem palpitação. Depois que minha filha chegou, comecei  sentir uma sensação ruim, um desconforto no estômago e nas costas. No estômago, parecia uma má digestão e nas costas era como uma forte pressão forçando o peito. Fomos ao Pronto Socorro e a Pressão arterial estava muito alta, de 24/16. Logo foi aplicado injeção nas nádegas e comprimido sublingual para o controle da pressão. Foi pedido Tomografia, Exames de sangue, Raio X  do tórax  e revelado pequenas manchas no pulmão em decorrência de ser fumante, Raio X de quadril e evidenciou várias manchas por gases. Realizaram ainda Endoscopia, Colonoscopia e Ecocardiograma, e nesses exames não acusou resultado comprometedor em nenhum deles.

 Fiquei internada por 2 dias. A pressão baixou para 18 e um dia depois baixou para 15. Fui mandada pra casa à noite. Em casa estava com dificuldade de percepção temporal e não me lembrava se tinha tomado os remédios pela manhã. Apresentava ainda, dificuldade de lembrar as coisas rapidamente, de gravar coisas recentes e esquecia o que está fazendo. Minha filha percebeu que eu estava estranha e não dizia coisa com coisa, como se eu tivesse drogada. Voltou comigo para o hospital e em nova avaliação fui diagnosticada com AIT (Ataque  Isquêmico Transitório), onde fui medicada e encaminhada a um Neurologista que confirmou o quadro de AIT  com causas no Stresse, Ansiedade, Pressão alta e Sedentarismo e alertou para o risco de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). 
Comentei com o Neurologista que em fevereiro tive um problema com o nervo Trigêmeo da face. Estava na rua, num dia de muito calor, então entrei no carro e liguei o ar condicionado no forte e com o choque de temperatura tive problemas no lado esquerdo do rosto, com dores fortes perto do ouvido irradiando para os dentes. Fui diagnosticada com um quadro de Nevralgia, mas que fora classificado como brando e passou em poucos dias amenizando os sintomas com medicamentos e bolsa de água quente à noite. Não entortei a boca e nem fiquei com dificuldade na fala.

O quadro de  pressão alta se instalou desde os 40 anos, quando perdi meu  marido com um câncer na cabeça, sem possibilidade de cirurgia e que faleceu em menos de 3 meses. A perda do meu marido  e a preocupação de cuidar sozinha de 3 filhos adolescentes, fez com que a pressão agora ficasse sempre alta independente do estado emocional - se alegre ficava alta, se triste estava alta também . Tempo depois outro choque, quando perdi um filho jovem deixando a namorada grávida quase pra dar a luz, começa então o quadro de Depressão que dura até hoje.  Fiz uso de vários antidepressivos e alguns tinha reações colaterais como taquicardia ou  pressão muito forte na cabeça e rosto - tudo sempre usando altas dosagens indicada por médicos. Tentei retirar os medicamentos, mas não consegui, tive que retomar com o uso contínuo do antidepressivo. Hoje estou tentando um outro antidepressivo e até agora, não tive as reações adversas que me tiravam a qualidade de vida diária. Apesar desse medicamento ser indicado  potencialmente para Fibromialgia, o que não tenho, foi indicação médica por ser também para Depressão.  
Quanto aos remédios de pressão alta continuo tomando muitos, 4 pela manhã e à tarde mais 2. 

Fiz tratamento  com Psiquiatra e Terapia com Psicóloga, por um longo período e gostei muito, inclusive os florais receitados pela psicóloga me fazia sentir muito bem, a ponto de achar já estar curada e até interrompi a terapia, o que me arrependi. Agora planejo voltar com a terapia e dessa vez, não ocultar nada do que vivenciei  e que não comentei com a terapeuta, pois sei o  peso que isso me custou. 

**IMPORTANTE

Nossa vida é marcada por momentos que podem nos trazer boas lembranças e reforçar a qualidade da nossa maneira de viver, porém se decidirmos viver sem nos preocupar com os anos que virão e não procurar por escolher uma boa alimentação, regrar o estilo de pensar e viver como se não houver amanhã, que nada possa nos atingir , que seremos eternos, que tudo só acontece com os outros, iremos pagar um preço caro, pois nosso corpo cobra cada displicência que fizermos com ele. 

Evite:

*Comer bobagens e beber refrigerantes,
*Substituir a água por qualquer outra bebida quando estiver com sede,
*Comer embutidos e alimentos com muito açúcar,
*Fumar, fazer uso de bebidas alcoólicas  e entorpecentes,
*Noitadas e poucas horas de sono, 
*Pessoas negativas e trabalhos que explorem seu talento,
*Rever seu casamento se não estiver feliz,
*Trabalhar de maneira exagerada - dinheiro não é tudo,
* E, o mais importante...sorria muito, se divirta, tenha tempo para seus filhos e amigos e não deixe de dizer "eu te amo" a quem fizer seu coração se alegrar.

São coisas que parecem simples, mas que prolongam nossa vida e faz tudo valer a pena. Pense nisso!! 

Veja também
https://luizagosuen.blogspot.com/2015/03/avc-acidente-vascular-cerebral.html 

9 de setembro de 2018

Tricotilomania- Transtorno de puxar e arrancar os pelos do corpo - Luiza Gosuen


 
" Tricotilomania é um transtorno psicológico com impulsos incontroláveis de arrancar pelos do corpo proporcionando uma satisfação imediata com o ato. É como resolver de forma instantânea tudo que está causando aborrecimento, incômodo ou mal-estar, ou seja arrancando o pelo senti-se como que eliminando aquele conflito do momento. Só depois passa a sensação de sufoco e volta o alívio. É uma pedra no caminho que precisa ser retirada - agora".  Luiza Gosuen..






Tricotilomania - O nome vem do grego Trico (cabelo) + Tilo (puxar) + mania. Esse comportamento de puxar e arrancar os pelos (Tricotilomania- TTM) apesar de se ter registro desde a Antiguidade,  foi somente na última década que se tornou um diagnóstico importante, considerando o aumento de casos na população, cerca de 3% e  só  agora foi  incluída no DSM-IV-TR  (The Diagnostic and  Statistical  Manual of  Mental Disorder 4 - Text Revision), como sendo um Transtorno no Controle dos Impulsos.


 É um impulso incontrolável e recorrente de arrancar os cabelos, cílios, sobrancelha, barba ou bigode. Não muito frequente, temos casos com impulso por arrancar pelos dos braços, pernas, púbis e tórax. 
O paciente normalmente tem um ritual para esse procedimento. Alguns escolhem previamente o fio que irá puxar e pode escolher diversos critérios desde,  os fios brancos, finos, grossos crespos e fazem isso de maneira consciente.  Em outros casos, o processo acontece de maneira automática diante de alguma situação como: lendo, dirigindo, trabalhando, falando ao telefone, ouvindo uma palestra ou  vendo um filme, onde arrancam os fios sem nem perceber ou se dar conta do que fizeram. E, muitas vezes, o processo ainda continua, passando os fios nos lábios, mordendo a raiz, enrolando os fios nos dedos e depois engolindo. Tudo isso quase que num procedimento de acariciar-se, para aliviar a tensão e trazer bem-estar e prazer ao paciente.

Consequência



Apesar do prazer que o paciente sente depois do ato, essa prática é uma automutilação e traz consequências sérias como alopecia ( calvície ou falhas) que gera constrangimento principalmente para as mulheres, levando à  insegurança, isolamento, vergonha e culpa. A pessoa passa a usar bonés, lenços, chapéu, roupas de manga longa e outros acessórios para disfarçar o problema, adiando a procura por ajuda e até mesmo de ser observado por pessoas próximas.

Causas

 Podem estar ligadas a hereditariedade e alterações químicas do cérebro que envolvam a deficiência de alguns neurotransmissores como a dopamina, noradrenalina e serotonina, responsáveis pelo humor e satisfação . Algumas crianças por sofrer discriminação, preconceito, bullying e abuso sexual podem apresentar esse comportamento e não contar nada a ninguém, bem como adolescentes por volta de 11 a 15 anos, com tendências depressivas, transtorno obsessivo compulsivo, conflitos de relacionamento social  em casa (com pais e irmãos), na escola (com professores e cobrança no desempenho escolar), no pessoal (com colegas e namorado) ou alteração nas funções hormonais que cause ansiedade e angústia..

Sintomas


*Puxar os fios de qualquer parte do corpo, repetidas vezes
*Sentir satisfação em arrancar os fios.
* Sentir-se aliviado e desestressado após arrancar os fios. 
*Ter um certo ritual antes de arrancar os fios como: enrolar no dedo, massagear,   
  esfregar os fios entre os dedos.
*Arrancar o fio e morder, mastigar ou engolir os fios. Outras vezes, ficar    
  enrolando os fios entre os dedos e fazer bolinhas.
*Stresse e ansiedade
*Obstrução intestinal

Pessoas com esses comportamentos também desenvolvem outros hábitos como: morder os lábios, roer as unhas, tirar melecas do nariz e comer.
Muitas vezes,só é percebido por familiares quando já está avançado o processo pois praticam essas manias quando estão sozinhas. Mudam  os hábitos de se vestirem com acessórios para esconder o problema da falta dos cabelos.
Os sintomas podem começar na infância, adolescência ou na fase adulta. Normalmente, mais frequente entre as mulheres. 


Sintomas mais comuns observados são: depressão, baixa autoestima, mal humor, stresse emocional, ansiedade. No trabalho, pode interferir no relacionamento com outras pessoas por sentir-se socialmente isolada e com vergonha de seu problema. Nos relacionamentos pessoais também se afasta para não ter que revelar seu problema com seu parceiro.
 No físico, pode interferir no trato digestivo com Tricofagia quando engole fios de cabelo e forma benzoares ou seja, bolas de cabelo no intestino causando vômitos, perda de peso, obstrução intestinal e até a  morte.Também pode acometer de infecções na pele em decorrência dos machucados causados.

 
Tricofagia ou Síndrome de Rapunzel é uma doença do trato intestinal que causa obstrução do intestino em decorrência de tufos de cabelos armazenados, formando um emaranhados com os fios que foram engolidos, em pessoas que têm mania de comer cabelo.



 Este é um exemplo de Benzoares  muito grande, que são tufos de cabelos retirados cirurgicamente do intestino de pacientes com tricotilomania.







Tratamento
O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar, começando com um Dermatologista para avaliar a extensão do problema na pele e quando necessário, certificar-se do diagnóstico e tratamento das lesões. Em casos muito graves, o paciente será encaminhado para um Psiquiatra que irá fazer uso de antidepressivos para controle da ansiedade, dos impulsos comportamentais e recaptação de serotonina.  É fundamental o apoio de um Psicólogo com terapia cognitiva comportamental para a reversão do hábito de arrancar os fios e também entender o motivo ou situação do descontrole emocional que leva a pessoa a cometer esse ato de agressividade contra si mesmo. Irá administrar os sentimentos emocionais e a ansiedade com técnica de autocontrole, avaliar o que desencadeia e estimular  novos comportamentos que  proporcionem satisfação, agora sem ansiedade. 
O terapeuta também atua no apoio junto à família, que tem papel essencial no dia a dia, observando o paciente e interagindo com ele no sentindo de  conscientizá-lo do ato no momento do gatilho que dispara o impulso.
A pratica de atividades físicas são recomendadas para aliviar a ansiedade, principalmente na companhia de uma pessoa amiga e de confiança do paciente, para ajudá-lo na autoestima.
Se o paciente aceitar que tem o problema e que precisa de ajuda será mais fácil atingir a meta e conseguir bons resultados.

Não há exames específicos que possam mensurar esse comportamento, porém o exame médico para afastar a possibilidade de outra doença física é muito importante.

2 de agosto de 2018

Transtorno Dismórfico - Vigorexia: Defeito físico imaginário- Luiza Gosuen




Caracterizado pela obsessão em ter um corpo físico perfeito, com curvas acentuadas, músculos avantajados, silhueta de acordo com os padrões na mídia, critérios que são impostos pelas academias e centros estéticos e com estímulo de profissionais sem escrúpulos e sem comprometimento com a ética, faz com que muitas pessoas – algumas com sérios problemas emocionais – sintam-se humilhadas diante da imagem que o espelho está refletindo. 

Num impulso de carência afetiva e sentimento de inferioridade, tomam uma decisão radical – muitas vezes até sem consultar  ou informar familiares - de que "precisam" se anular e se tornar uma “outra pessoa”. Então, se arriscam em procedimentos e cirurgias muitas vezes desnecessárias e fatais em nome do que consideram beleza física.



Esse transtorno pode se iniciar na infância quando na escola, colegas de classe apontam ou criticam a criança ou adolescente por uma determinada característica física. Algumas vezes, até mesmo familiares, fazem comparação da aparência física com outros irmãos ou outras crianças. Pode também desencadear o sentimento de inferioridade, quando em alguma fase da vida o indivíduo, sofre um trauma num relacionamento amoroso e se senti diminuído ou desprezado. 

Têm ainda, casos onde na adolescência quando o jovem na procura do seu primeiro emprego é rechaçado, mesmo com bom currículo, devido sua aparência ou preconceito de alguma forma.



O conceito de beleza é muito subjetivo e muda de acordo com a época e a cultura de cada povo com diversidade no conceito do que é belo. 
Para os pintores consagrados, a beleza feminina é retratada de formas diferentes. Em nenhum momento se preocuparam com as gordurinhas, celulites ou imperfeições físicas do que era mostrado. Ao contrário, suas modelos eram expostas de forma delicadas e mostravam sem pudor suas características que, para a maioria dos homens nem ao menos observam esses detalhes que são atormentados pelas mulheres e suas rivais. Para admiradores da arte, a obra é analisada e levado em conta os princípios que ressaltam a arte, já para a maioria dos homens,  no geral a beleza da mulher é mais que apenas um corpo bonito ou com imperfeições - normal a todo ser vivo - mas compreende delicadeza, caráter, talento, gentileza, valores, princípios e sensualidade.



A dismorfia leva pacientes a ter distorções e insatisfações extremas de sua imagem física, a ponto de não querer mais ser como é. Ficam obcecados em mudar tudo e não ter em seu corpo nada que lembre o que vê no espelho e para isso fazem qualquer coisa para se tornar outra pessoa. De maneira impensada e até irracional, começam com pequenos procedimentos, depois passam para as cirurgias plásticas e daí pra frente, sempre irão ter a necessidade de fazer outra e mais outra. Tudo isso causa um sofrimento emocional enorme que aliado a sua insegurança e carência afetiva leva a situações de angústia  e desespero.


A carência afetiva reforça o sentimento de inferioridade e mesmo depois de muitos procedimentos estéticos e cirurgias plásticas a pessoa ainda precisa ouvir: “Nossa! Como você  está linda. Não tem onde mais melhorar. Seu corpo é o sonho de toda mulher”. Isso vale também para homens, preocupados com a beleza física mesmo já estando “sarados” e muitas vezes musculosos até demais, à base de estimulantes e anabolizantes, comprometendo a saúde física e também atitudes de sua vida pessoal e profissional, mas que ainda assim, fazem mais procedimentos estéticos e cirurgias plásticas procurando a “perfeição”. 


A indústria da beleza vê o consumidor de produtos estéticos como apenas um cifrão e não como uma pessoa que merece respeito no que está procurando, pois a maioria dos produtos de beleza não cumpre o que promete. Lançam promessas em cima de promessas para iludir e faturar alto, não importa como ou a quem atingir.



A Cirurgia Plástica é um recurso extraordinário e maravilhoso quando feita por profissional ético e com especialização médica que o capacite para esse exercício. A prática cirúrgica quando feita com adequação - com apoio hospitalar ou em clínica capacitada para emergência - e em paciente com visão ajustada da realidade  traz resultados grandiosos. 

Quando analisadas as deformações congênitas, e tendo necessidades muitas vezes até urgentes para a sobrevivência da pessoa ou mediante quadros de acidentes graves com iminência de amputações e reconstituições é uma obra de arte o resultado da cirurgia plástica. Porém, quando usada para lustrar imagem de profissional inescrupuloso nas mídias, pacientes com expectativas irreais ou com ego deformado, então ela se torna uma arma para matar, quando não deforma para sempre.



Sintomas 


Os sintomas podem começar precocemente, na infância com bullying na escola ou em casa e também na adolescência com surgimento de acnes, tamanho de seios, formato de tórax, tamanho de glúteos, formato de nariz ou de orelha, cicatrizes, manchas na pele, etc.

A pessoa fica preocupada com esses detalhes, passam  horas se analisando no espelho, dá ouvidos a tudo que “amigos” lhe dizem, se arrumam demasiado com roupas em excesso com intuito de cobrir o corpo, uso de chapéu para esconder queda de cabelo, uso de barba para disfarçar problemas na pele, analisam tipos de pessoas em revistas, se comparam com artistas, se interessam em começar academia e fazem exercícios pesados. Pode também acontecer de se esconder das pessoas, desviar o assunto quanto se fala de aparência e ficar mais contido em si mesmo até que, tudo eclode e vem à tona de maneira abrupta e querendo consertar tudo de uma hora para outra , podendo fazer uso de substâncias ilegais ou sem acompanhamento médico .


Tratamento


Procure um Psicólogo para orientação e acompanhamento com terapia cognitivo- comportamental com foco na pessoa, suas crenças, suas dificuldades e conflitos pessoais ajudando no ajuste da visão de si mesmo. Já em casos graves, onde o processo começou há muito tempo e se tornou reincidente com situações que oferecem risco de deformações permanentes ou até risco de morte é recomendado a interferência de um Psiquiatra que através de antidepressivos pode ajudar no restabelecimento do humor e visão assertiva si mesmo. É essencial a ajuda de familiares ou pessoas com influência positiva na vida do paciente para fortalecer no estímulo e sequência  no tratamento.
 

* Importante

É preciso estabelecer um critério de avaliação consciente entre paciente e profissional para que vidas - quase sempre ainda jovens - não se percam por ganância de profissionais incapacitados e por pacientes com deformação na sua capacidade de se ver como ser único, onde seu valor está muito além da imagem física.



Veja também:


Anorexia e Bulimia são também transtornos dismórficos que aliados ao distúrbio alimentar distorce a imagem que a pessoa vê no espelho pois,  como os vigoréxicos que nunca se acham com corpo adequado ou musculosos o bastante, os anoréxicos também nunca se acham magros o suficiente.


19 de julho de 2018

Ludopatia- Transtorno do Jogo Patológico- Luiza Gosuen


 
Ludopatia ou Transtorno do jogo Compulsivo é uma doença comportamental com compulsão por jogar. Igual a qualquer vício, como alcoolismo e uso de drogas, que pode afetar todas as idades, homens e mulheres  e todo nível social. Mesmo não tendo consumo de substância química, a sensação de prazer e a área estimulada no cérebro é a mesma.



 E tudo pode começar de maneira agradável numa reunião com amigos e até entre familiares num final de semana e, aos poucos, o vício vai se instalando com pequenas apostas  entre eles passando depois a bingos na igreja e quando percebe já está apostando alto em casas de jogos.



São chamados  jogos de azar: loteria, carteado, bingo, tômbola, truco, caça-níqueis, pôquer, jogos de carta pela internet, leilões e até bolsa de valores. Muitos consideram ser falta de caráter dos jogadores porque envolve gastos que a pessoa não tem e deixa a família com sérios problemas de dívidas,  pois na maioria das vezes perde nas apostas ou quando ganha quer jogar de novo para  ganhar mais ou recuperar o que perdeu-  o que na maioria das vezes não acontece. É um desvio comportamental, uma doença patológica que atinge até 2% da população brasileira e que pode ser tratado.
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A proposta de abrir casas de jogos e cassinos no Brasil já é antiga e ainda não foi aprovada, o que poderá subir ainda mais essa estatística, já que temos um aumento de cerca de 130 novos casos de doentes a cada ano. Foi constatado isso pela ocasião onde houve a liberação das casas de Bingo. Houve a  proliferação dessas casas em muitos lugares, o que levou a um aumento proporcional e considerável de apostadores, cerca de 300 novos casos de pacientes compulsivos por semana.


Para muitas pessoas o jogo é uma diversão inocente, que proporciona alegria, momento de encontro com amigos, alivia a tensão, diminuiu a ansiedade e principalmente, devolve sua capacidade de mostrar que pode enfrentar desafios, superar seus medos e sua  capacidade de ter  dinheiro e pagar suas dívidas.

Quando o "jogar" sai da dimensão de brincadeira e passa a ser uma compulsão, ou seja, quando precisa recuperar o que perdeu ou mostrar aos "amigos" que pode ganhar ainda mais. É nesse momento que o jogador  faz a aposta, perde e volta pra fazer tudo de novo . Então, estamos diante de um jogador patológico, que muitas vezes associa também esse vício à bebida, fumo, noitadas fora de casa e a conta só vai aumentando.
Alguns pacientes ganharam uma única vez, e essa sensação de empoderamento e reconhecimento diante seus "amigos" jogadores, o faz enganar a si mesmo e achar que todas as outras vezes que perdeu foi só "azar", que irá ganhar novamente. Se somar tudo que já perdeu - e aqui envolve também saúde e aborrecimento familiares e, em muitos casos, até o fim do casamento - daria para ter esse montante de dinheiro em seu benefício e de sua família, mas deixou tudo na casa de jogo.

 Em muitos casos, a pessoa começa por estar endividada e vai para o jogo como um escape, achando que vai solucionar seu problema na primeira jogada e depois não voltará mais. Isso pode até acontecer, caso a pessoa realmente ganhe o que precise na primeira vez e tenha um forte propósito que isso já resolveu o problema e que não irá voltar a jogar, mas raramente isso acontece.  O jogador considera ter sido fácil ganhar  ou porque não ganhou hoje mas amanhã terá mais sorte e então porquê não arriscar mais uma vez, outra vez , mais uma vez e quando percebe gastou até o que não tinha e está nas mãos de agiotas,  empréstimos de  amigos ou pior...de bancos.

O escritor russo Fiódor Mikhailovich  Dostoiévski , famoso por seu magnífico trabalho onde descreve com clareza as vivências psicológicas e  sofrimentos emocionais  de seus personagens, era  epilético, jogador patológico e retrata de maneira intensa e assertiva essa trajetória em suas narrativas. Apesar de caso como o dele e de outro,s terem registro desde século 19, só recentemente por volta de 1980, esses  fatos  foram reconhecidos como transtorno psiquiátrico.

Sintomas mais comuns

*Impulsividade
*Agressividade
*Ansiedade
*Estresse e dívidas
*Desemprego
*Alcoolismo
*Amigos jogadores
*Conflito de relacionamento familiar
*Carência emocional

Tudo isso junto aliado a uma companhia que estimule a jogar ou mesmo sozinho,  procurando um escape para uma solução rápida - pronto- está formada a situação perfeita diante uma mesa de jogo.

Diagnóstico

1-Ficar com pensamento voltado apenas para oportunidade de ir jogar;
2-Procurar maneira de como aumentar suas apostas para ganhar mais;
3-Ficar impaciente quando não pode ir jogar;
4-Mentir para familiares que não jogou e negar envolvimento com jogo.
5-Roubar dinheiro de familiares para jogar;
6-Desviar dinheiro do orçamento familiar para o jogo;
7-Pedir dinheiro emprestado de amigos e empréstimo com agiotas para jogar;
8-Prejudicar relacionamentos importantes e oportunidades de trabalho para jogar;
9-Ter o jogo como é uma forma de escape das tensões e de prazer;
10-Tentar parar de jogar e não conseguir.

Para firmar o diagnóstico de transtorno patológico deve-se considerar pelo menos 3 dessas etapas acima, num prazo de 1 semana.

Jogadores  patológicos e Usuários de drogas


Estudos mostram em pesquisas que  jogadores patológicos e usuários de drogas apresentam sintomas parecidos, predisposições genéticas para o comportamento impulsivo e buscam resultados imediatos para satisfazer suas necessidades.  Os dependentes de substâncias químicas precisam cada vez mais de drogas para suprirem sua ansiedade assim como os jogadores compulsivos se arriscam e apostam  cada vez mais quantidades maiores de dinheiro para satisfação de seu ego e alívio de sua tensão.

 A abstinência também é severa e notada nos dois casos, quando fica por um tempo curto sem o jogo ou sem a droga.

Jogos Eletrônicos e o Transtorno Psiquiátrico



A OMS -Organização Mundial da Saúde- está sendo pressionada por profissionais da saúde e já estuda, para o próximo ano, a possibilidade de incluir o vício em vídeo games e jogos eletrônicos como sendo  transtorno psiquiátrico.

O Distúrbio dos jogos eletrônicos (Gambling Disorder) tem características diferentes de outros jogadores. Visto em maior escala entre jovens, principalmente asiáticos.
Atitudes prejudiciais mais observadas são:

* Reprovação escolar;
* Afastamento do convívio social;
* Briga com  familiares;
* Isolamento até dos amigos;
* Privação de sono e alimento para não sair da frente do game;
* Ficar na internet o dia todo,
* Sentimento de tristeza;
* Insegurança;
* Baixo autoestima;
* Vida virtual mais importante que vida real;
* Dificuldade de relacionamento pessoal;

Recaídas
É preciso apoio de familiares e seguir o tratamento que ajuda a fortalecer sua capacidade de superação e descobrir novos talentos e novas oportunidades. Ter convicção de que se abandonar a luta antes de sentir que pode andar sozinho, logo encontrará um desvio, uma companhia que o levará a jogar ou um motivo, sem motivo justificável para voltar ao vício.


Tratamento

O tratamento inclui principalmente participação familiares,Terapia  Cognitiva, Terapia Comportamental, Psicoterapia Individual,Terapia Ocupacional, Psicoterapia de grupo e Orientação Familiar  na busca pelo auto controle físico e emocional.

Jogadores Anônimos foi criado nos Estados Unidos em 1957 e no Brasil existe em cerca de 13 cidades com salas de reuniões no intuito de ajudar pessoas envolvidas com o vício. O lema é:  "Só por hoje, não vou fazer a primeira aposta". Um dos grandes mantras das reuniões dos Jogadores Anônimos, para o compromisso com o tratamento.

*Importante- Procure ajuda

PRO- AMJO:   Programa Ambulatorial do Jogo do Departamento de Psiquiatria da USP. Marcar triagem pelo telefone 11-3069.7805 para  início em no máximo 1 mês.