9 de agosto de 2017

Sindrome de IRLEN - Luiza Gosuen

Sindrome de IRLEN é um distúrbio que provoca disfunções visuais . Na leitura, as palavras do texto ficam embaralhadas e tremidas provocando dificuldade de atenção, compreensão e memorização causando déficit na atividade ocular durante o processo de leitura o que acarreta baixo rendimento da aprendizagem e algumas vezes, interferindo no comportamento individual e nas relações sociais. Altera também a percepção da luminosidade e da profundidade o que incomoda muito, podendo dificultar a concentração de objetos em movimento  como de carros  numa estrada durante a noite ou em ambientes de grande circulação de pessoas.




A Síndrome de Irlen tem esse nome em homenagem á Dra. Helen Irlen, psicóloga americana responsável pela descoberta e pelos estudos internacionais sobre o assunto. As pesquisas indicam que cerca de 46% das pessoas com dificuldades escolares têm Síndrome de Irlen, o que pode afetar pessoas de todas as idades, com inteligência normal ou superior à média e está relacionada à desorganização, no cérebro, das informações recebidas pelo sistema visual.
Apesar de ser um transtorno investigado nos Estados Unidos há mais de 25 anos e haver centros de diagnóstico e tratamento em 42 países, no Brasil é pouco difundida, porém um excelente trabalho nesta área tem sido desenvolvido no Hospital de Olhos de Minas Gerais, onde uma equipe multidisciplinar e avaliadores preparados nos cursos de Capacitação em Síndrome de Irlen forma profissionais para identificar portadores dessa síndrome, apresentando-lhes as características da condição, suas consequências e orientando a sua recuperação.

Esse transtorno muitas vezes é confundido com DISLEXIA que é um transtorno na aprendizagem e SINDROME DE IRLEN é uma disfunção oftalmológica neurológica causando dificuldades nas atividades diárias e escolares como coceira e lacrimejamento e isso faz que a criança fique dispersa e irriquieta, não conseguindo ficar tranquila em sala de aula e são rotuladas como hiperativas e com problemas na aprendizagem apesar de serem crianças inteligentes e aptas. Causa ainda, desfocamento das linhas no texto, com distorções do material gráfico, inversão de letras, troca de palavras o que pode provocar dores de cabeça, sonolência, cansaço e até enjoo.
Esse transtorno na visão pode vir inclusive junto com outras  deficiências como astigmatismo ou miopia e faz-se o tratamento combinando terapia comportamental psicopedagógica com o tratamento oftalmológico. 

Veja mais sobre Dislexia:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/04/dislexia-transtorno-de-aprendizagem.html

Diagnóstico Diferencial

É muito importante que antes de classificar o distúrbio que está acometendo a criança é importante submetê-la a uma equipe multidisciplinar composta por psicólogo, pedagogo e pediatra a fim de que a avaliação seja precisa e descarte a possibilidade de ser Dislexia, onde o tratamento é individual e voltado para aprendizagem porém, ser for diagnosticado com Sindrome de Irlen, deverá então ser encaminhada ao oftalmologista que irá efetuar os testes de aferição da visão e fazer uso também de lentes com filtros seletivos para facilitar a leitura bem como o uso de transparências de acetato coloridas que facilitam a concentração.
Outro fator a ser observado é a fotofobia que é a sensibilidade aumentada em relação à claridade da luz, que ocorre independente da idade e nesse caso também é indicado o uso de lentes coloridas tratada com uma pintura translúcida para filtrar a intensidade da luz


Tratamento no Brasil
Realizado no Hospital de Olhos Belo Horizonte - Minas Gerais, desenvolvido pela Dra. Marcia Guimarães

Método Irlen para o tratamento. As três fases básicas são:

Fase 1 - Questionários para avaliar habilidades acadêmicas e análise do Estresse Visual e Perceptivo: 
Testes da Escala Perceptual de Leitura Irlen (com indicadores de 0-17). Após essa primeira etapa, quem apresenta indicadores entre 4-17, que equivalem aos índices moderado e severo da sensibilidade escotópica, prossegue para o procedimento seguinte do Método, que deve ser realizado por profissionais certificados pelo Irlen Institute. 

Fase 2 - Selecionar entre 10 (dez) cores de overlay (ou transparência de acetato com coloração especial) qual é a mais indicada para cada portador da Síndrome. O avaliador testa o conforto visual e a melhora dos sintomas na leitura colocando cada uma das lâminas coloridas sobre figuras no manual de avaliação. Quando a cor adequada é identificada, essa será a usada para aquele portador, colocando-a sobre o texto que irá ler. Em casos especiais, uma combinação de mais cores poderá ser necessária.

Fase 3 - Após a aplicação das duas primeiras etapas e confirmada a condição de Irlen, o que é possível pela observação da significativa melhora da leitura e da percepção com o uso de lâminas coloridas (colored overlays) sobre figuras e textos, é preciso agora encaminhar o portador ao Hospital de Olhos de Minas Gerais, Clínica Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte (site acima), para ser feito o Diagnóstico Padrão de Leitura Cognitiva - DPLC e o Exame de Neurofisiologia Visual. 
Esta fase tem o objetivo de conferir se há necessidade da prescrição dos filtros seletivos de uso contínuo (óculos com lentes coloridas especialmente tratadas por um processo feito apenas nos Estados Unidos). Eles serão indicados em casos que necessitem de auxílio constante para melhor desempenho cerebral no processamento da informação visual. 




Como reconhecer portadores e quais benefícios que o Método Irlen pode proporcionar para:

1- Alunos com excelentes habilidades intelectuais, mas que apresentam rendimento escolar baixo, apesar de terem boa capacidade de leitura:

• Levam muito tempo para fazer a lição de casa;
• Queixam-se de dores de cabeça e cansaço na escola ou quando leem;
• Evitam fazer leituras; 
• Vão mal em testes com tempo programado;
• Leem o começo do capítulo e os resumos ao invés de lerem o capítulo todo; 
• Em sala, apenas escutam a aula, em vez de fazer as atividades de leitura;
• Têm mais facilidade para aprender nas discussões orais do que lendo; 
• Esforçam-se bastante para tirar boas notas e são considerados alunos brilhantes, apesar das notas que tiram.
 •São considerados preguiçosos ou desmotivados e são sempre cobrados pelos pais e professores por melhor rendimento escolar.

2- Pessoas com problemas de leitura em geral, dislexia e dificuldades escolares, que

Tem problemas de fluência e compreensão da leitura;
• A leitura se torna uma tortura;
• É comum não conseguir aprender habilidades básicas de leitura;

3- Indivíduos com Déficit de Atenção ou Hiperatividade (TDAH) que:

• Têm problemas de concentração durante a leitura ou a escrita;
• Distraem-se facilmente quando estão lendo ou escrevendo;
• Ficam distraídos quando sob luzes fortes ou fluorescentes;
• Entram em estado de devaneio durante a aula;
• Têm dificuldade para começar e fazer suas atividades escolares;
• Não consegue permanecer sentado durante atividade escolar;

Leia mais sobre TDAH
https://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/01/hiperatividade.html

4- Indivíduos com queixas frequentes de dores de cabeça, tontura e fadiga com:

• Desconforto com a luz solar ou luzes brilhantes;
• Incômodo com a luz de faróis de veículos;
• Desconforto visual ao usar computador;
• Estresse ou tensão em atividades visuais intensivas;
• Dificuldade ao olhar para listras ou xadrez;
• Percepção que algumas cores são mais intensas;

 5- Indivíduos com Autismo e Síndrome de Asperger que:

• Olham com movimentos curtos e intermitentes dos olhos;
• Parecem estar distantes do seu objetivo visual;
• Mantêm os olhos semicerrados, estrábicos ou olham para baixo;
• Agitam os dedos;
• Olham para os lados e evitam contato visual;
• Esfregam e empurram os olhos;
• Ficam hipnotizados por cores, luz e padrão de desenhos estilizados;
• Têm muita sensibilidade à luz com alteração no comportamento;
• Pouca noção espacial e corporal;
• Têm dificuldade com degraus e escadas rolantes;
• Têm dificuldade para pegar uma bola que lhes é atirada;
• Apresentam pouca coordenação motora grossa e fina.
6- Indivíduos que sofrem de traumatismo craniano, concussões cerebrais, convulsões e tremores com: 

• Comprometimento da atenção sustentada e da concentração, que cria problemas de dificuldade e desconforto ao ler ou fazer outras atividades visuais;
• Sensibilidade à claridade, com dificuldade de ficar ao ar livre, em ambientes com iluminação brilhante  e dirigir à noite se torna bastante desconfortável e estressante;
• Dores de cabeça, náuseas, tonturas, ansiedade, irritabilidade ou dores de estômago, cuja gravidade é frequentemente aumentada pela luz solar, ou iluminação brilhante, leitura e outras atividades visuais intensas;
• Diminuição da percepção de profundidade, o que compromete as relações espaciais e as atividades que exigem a capacidade de perceber profundidade;
• Fadiga generalizada, com a sensação de estar exausto;

Leia mais sobre o Metódo Irlen e quem pode ser beneficiado

Depoimentos Importantes:

Mãe Valquiria e seu filho Nicolas relatam vivência com Irlen 

Mãe Marcia Luz relata como encontrou tratamento para sua filha Juliana

Entrevista com Dra Marcia Guimarães

Criança com Irlen tentando ler em folha de papel branco

31 de março de 2017

Transexualidade/Transtornos de identidade de gênero (TIG)- Luiza Gosuen




"Transexualidade é a sintonia que une feixes de luzes desassociados entre si para ajustar o foco de maneira nítida e  real.  Não configura uma aberração e nem caracteriza um ser bizarro.  
O gênero de uma pessoa é apenas uma condição que não afeta sua alma, seus sentimentos, crenças e tão pouco seu caráter. 
O distúrbio do caráter e da personalidade transformam um ser humano em um ser abominável, egoísta, corrupto, cruel, sem princípios morais e sem arrependimentos. Já a definição de gênero, revela um ser antes desajustado e infeliz consigo mesmo em alguém agora em sintonia com sua essência e pronto para viver a vida, sem se esconder e nem mentir para si mesmo."     Luiza Gosuen


O termo "transtorno" usado para definir o gênero de uma pessoa considero ser equivocado, apesar de ser um termo até essa data usado de maneira científica, porém considerando a trajetória perturbadora e a difícil confrontação que passa um transexual, esse termo ainda agrava mais o sofrimento dessa pessoa e até pode sugerir para muitos, uma forma de discriminar e até declarar que são pessoas indesejadas ao convívio social. Ao contrário, os profissionais de saúde e grande parte da população, desejam que tenham sua identidade revelada e que vivam como seres humanos completos, livres e realizados. 

A Disforia de Gênero ou Transexualidade não é uma anormalidade genética (**) e nem doença mental. É um desejo forte e consciente de estar vivendo numa situação de descontentamento, onde o corpo biológico não está em conformidade com sua identidade mental e emocional, ou seja o corpo físico tem uma identidade de gênero, porém seus desejos e características sexuais se refletem  para o sexo oposto. O seu propósito de vida e seu prazer como pessoa está no oposto a tudo que seu corpo biológico apresenta.

Essa manifestação  pode ser observada pelos familiares já em tenra idade, mas muitas vezes é ignorada e a criança sofre até castigo dos pais - que não conseguem ou não querem ver e entender - o que a criança está revelando de maneira espontânea. Muitas vezes, essa evidência está nos desenhos feitos pela criança onde ela reflete de maneira muito clara como ela se sente  e inclusive como ela se vê fisicamente.


A insatisfação começa desde a maneira de se vestir, modos de se arrumar, pentear os cabelos, preferências por brinquedos específicos, normalmente preferidos pelo sexo oposto e até nos temas de decoração de suas festinhas de aniversário.

(**) As anormalidades genéticas mais comuns são:
 Síndrome de Turner é quando a mulher tem uma anomalia genética onde seu cariótipo apresenta apenas com um cromossomo X, ao invés de XX , que é o que caracteriza o sexo feminino. Normalmente, essas mulheres são inférteis, com ovários atrofiados e sem folículos.

Síndrome de Klinefelter é um erro genético onde se tem a presença de um cromossomo X a mais no cariótipo de um homem. Ao invés de XY,  que é o que caracteriza o sexo masculino, se apresenta XXY.

Normalmente são inférteis e os testículos são de tamanho reduzido.

Bruce Jenner, ex atleta olímpico e ex-marido de Kris Kardashian agora se revelou como mulher transgênero
Essa decisão importante que a pessoa toma de redefinir seu gênero é um caminho para muitos, cheio de entraves envolvendo familiares, amigos e convívio social. Já para outros que encontram apoio e suporte das pessoas queridas se torna mais encorajador prosseguir com seus desejos, porém não deixará de enfrentar preconceitos vindos da sociedade e obstáculos para enfrentar desde a mudança de nome e novos documentos de identificação até a sonhada redesignação sexual, que é a cirurgia conhecida popularmente como mudança de sexo.

A  pessoa ao perceber seu descontentamento com seu gênero - muitas vezes isso já é notado em idade muito jovem, por volta dos 3 a 4 anos - na puberdade começa a utilização de hormônios por conta própria, sem que ninguém saiba e feito de maneira inadequada, sem orientação médica e até fora da idade que se recomenda para não ter problemas futuros, o que deve ser iniciado por volta dos 16 anos. O tratamento hormonal e psiquiátrico adequado, deve seguir um padrão internacional de atendimento  nos transtornos de identidade de gênero de acordo com a Associação Profissional Mundial para a Saúde dos Transgêneros.


Já desde 1920, Freud através da Psicogênese estuda a homosexualidade feminina e tenta compreender esse processo através do Complexo de castração e Inveja do pênis, temas que ele já estava desenvolvendo na época. 
O que vem comprovar que não é um modismo e sim um fato inerente ao ser humano e uma situação conflitante que sempre existiu, apenas era camuflado ou ignorado e que, atualmente está sendo estudado com mais profundidade entre os profissionais de saúde, bem como entendido e aceito por familiares. Em algumas sociedades, sobretudo as menos informadas, ainda se manifestam com discriminação e preconceito, mas que aos poucos atinge um número maior de pessoas com capacidade de aceitar um transgênero como uma pessoa que tem sentimentos , crenças, estuda, trabalha, tem responsabilidades e cumpre seus deveres como um cidadão que merece ter seus direitos respeitados.
Ainda hoje, homens agridem homosexuais e os transgêneros sem saber que inconscientemente também sentem "inveja" e o desejo de serem penetrados, evidenciando o lado feminino existente no homem, e as mulheres escondem a "inveja" e o desejo de terem um pênis exaltando o lado masculino existente em toda mulher. 

A Disforia de gênero quando não reconhecida e tratada, em algum momento poderá ter comprometimento que afeta relacionamentos tanto familiares quanto profissional e também problemas de saúde mental. Estima-se que cerca de 71% das pessoas com disforia de gênero poderão ter algum outro distúrbio como depressão, ansiedade, esquizofrenia, uso de drogas e tentativa de suicídio.


Saiba mais sobre a cirurgia de Ortofaloplastia -Resignação sexual- feminino para masculino:
http://luizagosuen.blogspot.com.br/2015/09/opcao-sexual-uma-escolha-pessoal-luiza.html

Cirurgia de Ortofaloplastia (de sexo masculino para feminino)
https://www.youtube.com/watch?v=EWN2_KkrUDM